NO CAMAROTE DO RAÍ julho 21, 2008
Posted by joaogabrieldelima in Sem Categoria.Tags: Nilton Santos, Raí, Roberto Dinamite, São Paulo, TIME DA GARRA, Zico
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Raí está para o São Paulo como Zico para o Flamengo, Roberto para o Vasco, Nilton Santos para o Botafogo e… tão poucos que não lembro de mais nenhum. Aquele tipo de ídolo que se aposenta e continua como um embaixador do clube, uma espécie de símbolo do time. Raí é a cara do São Paulo. Quando jogador, por seu toque de bola elegante (deveriam interditar Hugo e Zé Luís por conspurcar tal tradição). Aposentado, é piloto de um dos projetos sociais mais elogiados do mundo, que leva ensino profissionalizante a crianças carentes. Criou um camarote no Morumbi para fazer RP com possíveis patrocinadores para sua ONG, a Gol de Letra.
Como é legal o camarote do Raí no Morumbi! Lá não entram cartolas, pagodeiros ou preparadas do funk. O camarote é como a casa dele. Raí recebe os convidados com a netinha no colo. A mulher dele, uma chef famosa, coordena o cardápio — ontem, comida japonesa, em homenagem ao centenário da imigração. O ídolo serve ele próprio as cumbucas de missoshiro, e não se furta a conversar com todos e tirar fotos. Continua educado e politicamente correto. Antes do jogo começar, todos torcem contra o Palmeiras no jogo contra o Goiás — menos ele. Lembra aos são-paulinos que o Palmeiras é um dos mais tradicionais clubes brasileiros e que Luxemburgo vem fazendo um grande trabalho. Quase dá vergonha de secar o adversário na frente de tal gentleman.
O camarote fica no térreo, o que garante uma visão privilegiada do campo. E, junto com isso, sofrimento em dobro. De perto, o horrível time do São Paulo fica pior ainda. Uma única jogada: Rogério lança um dos laterais, que procura Jorge Wagner, que manda um chuveirinho na área. As únicas chances do primeiro tempo são em cobranças de escanteio. E no pênalti que o promissor (sério, joga muita bola!) Alex Cazumba sofre — e o gênio da bola parada converte com precisão. No resto do jogo, domínio total do Botafogo, um time infinitamente melhor. Todos começam a ficar tensos. Ainda bem que massagistas japonesas garantem o shiatsu relaxante dentro do camarote (é sério). As gueixas do Raí também ensinam a dobrar origami. Eu só consigo amassar o copo de plástico em que haviam me servido calmante — suco de maracujá. Assisto uma das piores exibições da história do quarteto Zé Luís – Hugo – Dagoberto (apelidado pela torcida de “o inútil”) – e Éder Luís. Hugo certamente é o pior meio-campista do mundo em atividade.
Por sorte, o TIME DA GARRA é o TIME DA GARRA. Num show de raça, a equipe supera as limitações técnicas e vence um jogo em que foi amplamente dominado. Mais um milagre do time que supera todos os outros do mundo nos quesitos amor à camisa e comunhão com a torcida! Pelo time que temos, era para estarmos na zona do rebaixamento. Em vez disso — incrível — entramos até na zona de classificação para a sul-americana. Não comemoremos ainda — Muricy, o sensato, lembra que nosso time é horrível e o sonho da sul-americana ainda está distante.
Na saída, comento com Raí: “Você bem que poderia vestir a dez nesse time”. Ele responde: “O que é isso, você não viu como o segundo gol foi uma jogada trabalhada, de toque de bola”?
Uma vez Raí, sempre Raí.